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Leilão De BESS No Brasil: O Que Esperar Do Primeiro Leilão De Baterias Em 2026

  • Lux Energia
  • há 4 dias
  • 5 min de leitura

O Brasil está estruturando o primeiro leilão dedicado a Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS), no modelo de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026, Armazenamento), com realização prevista para abril de 2026. O tema é relevante porque armazenamento entrega flexibilidade ao SIN (equilíbrio entre geração e carga em momentos críticos), reduz perdas operacionais e tende a apoiar a integração de renováveis variáveis, com reflexos em risco e custo sistêmico ao longo do tempo.


Para empresas consumidoras, o ponto central não é “participar do leilão”, e sim entender como o desenho regulatório e operacional pode impactar a previsibilidade: regras de despacho, critérios locacionais, encargos e a forma de remuneração do ativo.


Sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) conectado à rede elétrica, com contêineres e painéis solares, representando o leilão de BESS no Brasil
Imagem ilustrativa de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), instalados em contêineres modulares e integrados à rede de transmissão, simbolizando o avanço do armazenamento no setor elétrico brasileiro e o contexto do leilão de BESS (LRCAP 2026).

O Que É O Leilão De BESS (LRCAP 2026 – Armazenamento)


O LRCAP contrata potência (capacidade firme), não energia. Em outras palavras: o sistema remunera a disponibilidade em MW para atender o SIN quando convocado, com requisitos técnicos e penalidades para garantir confiabilidade. Para BESS, isso cria um caminho estruturado para projetos “utility scale” e dá sinal de longo prazo para investimentos.


Premissas E Requisitos Em Discussão


As diretrizes publicadas e reportadas até aqui indicam um desenho com parâmetros mínimos para assegurar entrega e padronização do desempenho do armazenamento no SIN.

Os principais pontos já sinalizados são:


  • Leilão previsto: abril de 2026.

  • Início de suprimento: 1º de agosto de 2028.

  • Prazo contratual: 10 anos.

  • Porte mínimo: 30 MW.

  • Entrega diária: potência máxima por 4 horas; e recarga completa em até 6 horas.

  • Sinal locacional: previsão de bonificação por localização em pontos estratégicos do sistema.


Do ponto de vista de risco regulatório, os itens mais sensíveis — e que costumam “mover” a viabilidade econômica, são: (i) como será o despacho e as penalidades, (ii) como fica o tratamento tarifário na carga/descarga (evitar dupla tarifação), (iii) os critérios locacionais e (iv) a governança de medição/contabilização.


Por Que O Leilão Está Atraindo Tesla, WEG E Chinesas


A matéria do Brazil Journal destaca a entrada de competidores e o interesse de grandes players como Tesla, WEG e grupos chineses (ex.: CATL e Huawei) na disputa por um mercado potencial bilionário. O racional é direto: um leilão de capacidade bem desenhado cria previsibilidade de receita e destrava escala, o que aumenta o apetite de fornecedores globais e integradores com capacidade de execução.


Além disso, há uma disputa técnica que vai além do preço do equipamento: o diferencial tende a aparecer em integração (EPC), garantias, performance ao longo da vida útil e capacidade de operar sob regras do ONS sem perder confiabilidade.


Em ordem de grandeza, a reportagem aponta expectativa de contratação em torno de ~2 GW e investimentos na casa de ~R$ 10 bilhões, com pipeline potencial superior ao volume inicial.


Impactos Esperados No SIN E Implicações Para Consumidores


O benefício sistêmico mais claro do BESS é a flexibilidade: carregar quando há sobra de energia e descarregar quando o sistema precisa de potência. Isso reduz estresse operacional e tende a apoiar a confiabilidade à medida que renováveis variáveis ganham participação.


Já o impacto econômico depende do desenho final. Se a modelagem tarifária e os encargos forem bem calibrados (especialmente na discussão de carga/descarga), o leilão pode trazer eficiência. Se houver distorções (como dupla tarifação relevante), isso pode pressionar lances e, no limite, repasse de custos sistêmicos.


O Que Empresas Devem Fazer Agora


Antes do edital final, as ações mais efetivas são de preparação e governança, não de “aposta” em uma única tese.

Recomenda-se:


  • mapear exposição a ponta e continuidade operacional (processos críticos, SLAs, risco de interrupção);

  • revisar estratégia de contratação (perfil de risco, sazonalização/modulação, flexibilidade contratual);

  • acompanhar critérios locacionais e gargalos, porque isso antecipa sinais de preço e restrições do sistema;

  • monitorar regras de despacho e tratamento tarifário, pois são determinantes na eficiência e no custo sistêmico do armazenamento.


Como A Lux Energia Apoia Decisões Sobre BESS


O leilão de BESS adiciona uma nova camada de leitura para consumidores: como o sistema vai precificar flexibilidade e como isso se traduz em risco, custo e previsibilidade. A Lux atua conectando regulação e operação à estratégia de contratação, com metodologia, trilha de auditoria e visão de portfólio, inclusive dentro do Hub de Soluções, neXus, onde BESS aparece como componente quando faz sentido técnico-econômico.



FAQ Do Leilão De BESS No Brasil (LRCAP 2026 – Armazenamento)


O que é o Leilão de BESS (LRCAP 2026 – Armazenamento)?

É um leilão de Reserva de Capacidade, voltado a contratar potência (MW) disponibilizada por novos sistemas de armazenamento em baterias, com o objetivo de reforçar flexibilidade e confiabilidade do sistema. A diretriz pública é tratar o BESS como ativo de atendimento ao SIN quando convocado, com requisitos técnicos e regras de desempenho.

Quando o leilão deve acontecer e qual o horizonte contratual?

A sinalização setorial e as diretrizes divulgadas apontam o certame para abril de 2026, com início de suprimento em 1º de agosto de 2028 e contratos de 10 anos. Esses marcos são relevantes porque definem janela de implantação, financiamento, cronograma de conexão e estratégia industrial dos fornecedores.

Quais são os requisitos técnicos mínimos mais prováveis (até aqui)?

A minuta e reportes setoriais indicam como base: potência mínima a partir de 30 MW, compromisso de entrega de potência máxima por 4 horas e recarga completa em até 6 horas. Em versões setoriais do tema, também aparece discussão de parâmetros de desempenho (como eficiência) e requisitos de conformidade técnica com a operação do sistema.

O que significa “bonificação por localização” e por que isso importa?

A bonificação locacional é um mecanismo para privilegiar projetos conectados em pontos do SIN que tragam maior benefício sistêmico (alívio de gargalos, reforço de confiabilidade regional, suporte à operação). Na prática, tende a direcionar projetos para onde o impacto operacional é maior, influenciando custo de conexão, competitividade no certame e risco de implantação.

Quem define regras do leilão e como fica a governança operativa?

A condução ocorre no âmbito das diretrizes do MME, com desdobramentos regulatórios e instrumentos contratuais associados ao setor elétrico. Na operação, o papel do ONS é central para garantir que o armazenamento seja acionado de forma aderente à segurança do sistema, o que tende a influenciar diretamente a forma de despacho e o valor econômico capturável pelo ativo.

O leilão de BESS pode afetar custos e tarifas para consumidores?

Pode, mas o efeito depende do desenho final de repasse e, principalmente, do tratamento tarifário na carga e descarga (evitar “dupla tarifação” relevante) e das regras de desempenho/penalidades. Um desenho eficiente tende a reduzir risco sistêmico e custos indiretos; distorções podem pressionar lances e, no limite, aumentar custo sistêmico.


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