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I-REC no Fechamento do Ano: Por Que Comprar Certificados Antes de Dezembro Para o Inventário de 2026

30 de set.
6 min de leitura

Comprar I-REC é o processo pelo qual uma empresa adquire certificados internacionais de energia renovável, cada um equivalente a 1 MWh gerado por fonte limpa, e os aposenta em seu próprio nome para comprovar a origem da eletricidade consumida. Com o fim de 2026 se aproximando, essa decisão ganha urgência. Os certificados que vão sustentar o inventário de emissões deste ano precisam ter geração no mesmo período, e deixar a compra para as últimas semanas de dezembro aumenta o risco operacional e reduz as opções disponíveis.


Gestora de sustentabilidade revisa relatório de energia renovável ao comprar I-REC para o inventário de 2026
Antecipar a compra de I-RECs para o último trimestre garante certificados da safra correta e tempo para organizar a documentação do inventário de emissões.

Neste guia, a Lux Energia explica por que o calendário importa, como funciona o processo de compra do registro à aposentadoria, quantos certificados sua empresa precisa e quais erros costumam comprometer o Escopo 2 no fechamento do ano. Se você ainda está conhecendo o instrumento, vale começar pelo post O Que É o I-REC: Guia Completo Sobre Certificados de Energia Renovável.


Por que o fim do ano é decisivo para o inventário de emissões


O inventário de gases de efeito estufa de uma empresa é organizado por ano civil. O inventário de 2026 só será consolidado e verificado em 2027, mas a energia que ele contabiliza é a consumida entre janeiro e dezembro de 2026. Pela abordagem de escolha de compra (market-based), a empresa só pode declarar sua eletricidade como renovável se tiver certificados que correspondam a esse consumo.


O Guia de Escopo 2 do GHG Protocol estabelece critérios de qualidade para esses instrumentos. Um deles determina que os certificados sejam emitidos e aposentados o mais próximo possível do período de consumo. Na prática, isso significa priorizar I-RECs com safra (vintage) de 2026 para cobrir o consumo de 2026, um ponto que auditores e plataformas de reporte, como o CDP, costumam verificar.


Há ainda um componente prático. No último trimestre, muitas empresas buscam certificados ao mesmo tempo, e cada etapa do processo, da negociação à aposentadoria no registro, depende de prazos operacionais de terceiros. Antecipar a compra para outubro ou novembro dá margem para corrigir documentação, escolher fontes e evitar que o Escopo 2 feche sem cobertura.


Como comprar I-REC: passo a passo da cotação à aposentadoria


O I-REC é regido pelo I-REC Standard, mantido pela I-TRACK Foundation. No Brasil, a emissão é feita pelo Instituto Totum, e os certificados circulam na plataforma de registro Evident, onde cada unidade tem número de série único. Para a empresa consumidora, o processo segue cinco etapas:


  1. Levantamento do consumo: consolidar o consumo de eletricidade de 2026 em MWh, por unidade, a partir das faturas e das medições. Para o último trimestre, uma projeção baseada no histórico é suficiente e pode ser ajustada depois.

  2. Definição da cobertura: decidir se o objetivo é cobrir 100% do consumo ou uma parcela, e se há preferência por fonte (eólica, solar ou hídrica) ou por região.

  3. Seleção do fornecedor: contratar os certificados com uma comercializadora ou gestora habilitada no registro, conferindo fonte, usina de origem e safra antes de fechar o negócio.

  4. Aposentadoria em nome da empresa: solicitar que os certificados sejam aposentados (redemption) tendo a sua empresa como beneficiária e 2026 como período de consumo. Só a aposentadoria garante que o mesmo MWh não será usado por outra organização.

  5. Guarda da documentação: arquivar o extrato de aposentadoria emitido pelo registro, que é a evidência exigida em auditorias do inventário e em relatórios de sustentabilidade.


⚠️ Transferir certificados para a conta da empresa não é o mesmo que aposentá-los. Sem a aposentadoria, os I-RECs continuam negociáveis e não podem ser declarados no Escopo 2.


Quantos certificados sua empresa precisa


A conta é direta: cada I-REC corresponde a 1 MWh de energia renovável. Uma empresa que consumiu 1.200 MWh em 2026 e quer declarar 100% de eletricidade renovável precisa aposentar 1.200 certificados. Se a meta for cobrir 60% do consumo, o número cai para 720.


O cuidado está na parcela não coberta. Os certificados zeram as emissões apenas do volume que representam, e o restante continua sendo calculado com o fator médio de emissão do grid. Por isso, cobertura parcial não autoriza declarar o Escopo 2 zerado. Os detalhes do cálculo estão no post I-REC e Escopo 2: Como Usar Certificados de Energia Renovável Para Zerar as Emissões da Sua Empresa.


Vale lembrar que a abordagem por localização (location-based), que usa o fator médio de emissão do Sistema Interligado Nacional publicado pelo MCTI, continua obrigatória no inventário. O GHG Protocol exige o reporte das duas abordagens, e os I-RECs afetam apenas o resultado market-based.


Energia incentivada e I-REC: como evitar a dupla contagem


Um equívoco comum entre empresas do Mercado Livre de Energia é considerar que contratar energia de fonte renovável já comprova o Escopo 2. A energia incentivada, que dá direito a descontos na TUSD, não transfere automaticamente os atributos ambientais ao consumidor. Sem um certificado aposentado em seu nome, a empresa não tem como provar que aquele MWh renovável não foi declarado por outro agente.


Se sua empresa já compra energia incentivada, confirme no contrato se os certificados estão incluídos ou precisam ser adquiridos à parte. O post Energia Incentivada: O Que É, Quais São os Descontos na TUSD e Quem Pode Contratar explica como esse tipo de contratação funciona.


Erros comuns na compra de certificados no fim do ano


  • Comprar a safra errada: certificados de anos anteriores podem ser questionados na verificação do inventário de 2026.

  • Deixar para dezembro: prazos de negociação, transferência e aposentadoria podem empurrar a operação para janeiro e atrasar o fechamento do inventário.

  • Não aposentar os certificados: manter os I-RECs apenas transferidos na conta impede o uso no reporte.

  • Beneficiário ou período incorretos: erros no nome da empresa beneficiária ou no período de consumo exigem retrabalho junto ao registro.

  • Ignorar as unidades: empresas com várias plantas precisam documentar quais consumos cada lote de certificados cobre.


Como incluir os I-RECs no orçamento de 2027


O fechamento do ano também é o momento de transformar a compra pontual em rotina. Empresas com metas de redução de emissões, compromissos como o RE100 ou exigências de clientes e investidores ganham previsibilidade quando planejam a aquisição de certificados junto com o orçamento de energia, em vez de comprar sob pressão no fim de cada ano. O artigo Planejamento Financeiro Empresarial: Por Que a Energia Deve Entrar no Orçamento mostra como integrar a energia ao planejamento da empresa.


Outro motivo para acompanhar o tema de perto é regulatório. O GHG Protocol conduz uma revisão das regras de Escopo 2, com propostas de correspondência temporal mais granular entre geração e consumo. Uma estratégia bem documentada hoje facilita a adaptação a critérios mais rigorosos no futuro. Para uma visão completa da agenda de emissões, veja também Escopos 1, 2 e 3: Como Neutralizar a Pegada de Carbono da Sua Empresa de Forma Completa.


Em resumo, comprar I-REC antes de dezembro garante que o inventário de 2026 feche com certificados da safra correta, aposentados em nome da empresa e com a documentação pronta para auditoria.


Dê o próximo passo


A Lux Energia apoia empresas em toda a jornada de energia renovável, do levantamento do consumo à aquisição e aposentadoria de I-RECs, integrando a estratégia de certificados à gestão de energia no Mercado Livre. Fale com nosso time e garanta a cobertura do seu inventário de 2026 antes do fim do ano.




Comprar I-REC: dúvidas frequentes


Quanto custa comprar I-REC?

O preço varia conforme a fonte, a usina de origem, a safra e o volume negociado. Certificados de fontes específicas ou com rastreabilidade adicional costumam custar mais. Em geral, o custo por MWh é pequeno em relação ao preço da energia elétrica, o que torna a cobertura total do consumo viável para a maioria das empresas.

Não é recomendado. O Guia de Escopo 2 do GHG Protocol orienta que os certificados sejam emitidos e aposentados o mais próximo possível do período de consumo, e auditores tendem a questionar safras de anos anteriores. O ideal é usar certificados com geração em 2026 para cobrir o consumo de 2026.

Transferir é mover o certificado entre contas no registro, e ele continua negociável. Aposentar é retirá-lo definitivamente de circulação em nome de um beneficiário e de um período de consumo. Somente o certificado aposentado pode ser declarado no Escopo 2 do inventário de emissões.

A emissão no Brasil é feita pelo Instituto Totum, emissor local credenciado pelo I-REC Standard. Os certificados são registrados na plataforma Evident, com número de série único, o que garante rastreabilidade e evita a dupla contagem do mesmo MWh renovável.

Em geral, a aposentadoria pode ocorrer depois do fim do ano, desde que os certificados tenham safra de 2026 e sejam aposentados para esse período de consumo. Ainda assim, antecipar a compra para o último trimestre reduz riscos operacionais e garante mais opções de fonte e de usina.


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