top of page

I-REC e Escopo 2: Como Usar Certificados de Energia Renovável Para Zerar as Emissões da Sua Empresa

  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

O Escopo 2 do GHG Protocol mede as emissões indiretas de gases de efeito estufa provenientes da eletricidade consumida por uma empresa. Para organizações com metas de descarbonização, validadas pelo SBTi, reportadas ao CDP ou divulgadas segundo o GRI, zerar o Escopo 2 é frequentemente a primeira meta concreta de redução de emissões. O I-REC é o instrumento internacionalmente aceito para fazer isso no Brasil: ao resgatar certificados equivalentes a 100% do consumo de eletricidade, a empresa comprova, com rastreabilidade total, que sua energia tem origem renovável.


Analista ESG revisando relatório de Escopo 2 e certificados I-REC em painel digital de sustentabilidade corporativa.
O I-REC é o instrumento aceito pelo GHG Protocol para zerar o Escopo 2 market-based nos relatórios ESG. Saiba como estruturar a cobertura completa para CDP, GRI e SBTi.

O que é o Escopo 2 e por que ele importa?


O Escopo 2 é uma das três categorias de emissões do GHG Protocol Corporate Standard. Enquanto o Escopo 1 cobre emissões diretas (combustão de combustíveis na própria empresa) e o Escopo 3 cobre a cadeia de valor, o Escopo 2 contabiliza exclusivamente as emissões associadas à compra de eletricidade, calor, vapor e resfriamento de terceiros. Para a maioria das empresas industriais, comerciais e de serviços no Brasil, o Escopo 2 representa a maior ou segunda maior fonte de emissões reportadas.


O GHG Protocol define duas metodologias para calcular o Escopo 2: location-based e market-based. A diferença entre elas é o que determina se o I-REC pode ou não zerar as emissões da empresa.



Market-based vs location-based: qual a diferença?


Location-based


A metodologia location-based calcula as emissões com base no fator de emissão médio da rede elétrica do país ou região onde a empresa opera. No Brasil, esse fator é publicado anualmente pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) e reflete o mix da matriz energética nacional. Em 2023, o fator médio foi de aproximadamente 0,0996 tCO₂e/MWh, relativamente baixo em função da predominância hídrica, mas não zero. Nessa metodologia, o uso de I-REC não altera o cálculo.


Market-based


A metodologia market-based calcula as emissões com base em instrumentos de atributo energético, contratos de compra de energia renovável, tarifas verdes ou certificados como o I-REC. Se a empresa possui I-RECs resgatados equivalentes a 100% do seu consumo de eletricidade em determinado período, o fator de emissão aplicado é zero. Isso significa que o Escopo 2 market-based da empresa é zerado para aquele período. Essa é a metodologia exigida pelo CDP, pelo SBTi e recomendada pelo GRI 302-2 para empresas com metas ambiciosas de descarbonização.


Desde 2015, o GHG Protocol exige que empresas que reportam o Escopo 2 divulguem ambas as metodologias. Na prática, isso significa que uma empresa pode ter Escopo 2 location-based de 500 tCO₂e/ano e Escopo 2 market-based de 0 tCO₂e/ano, se possuir cobertura I-REC completa para o período.


Como o I-REC zera o Escopo 2 market-based na prática?


O processo envolve quatro etapas principais, todas rastreáveis pela plataforma I-TRACK da CCEE:


  1. Levantamento do consumo: a empresa apura o total de MWh consumidos no período de reporte (geralmente o ano calendário).

  2. Aquisição dos certificados: a empresa adquire I-RECs correspondentes ao volume consumido, seja diretamente via CCEE ou por meio de um gestor de energia como a Lux Energia.

  3. Resgate (retire) na plataforma I-TRACK: os certificados são resgatados e cancelados na plataforma, gerando documento oficial com número único, data e volume certificado.

  4. Aplicação no inventário: o documento de resgate é usado como evidência para aplicar fator de emissão zero no Escopo 2 market-based do inventário de GEE.


⚠️ Atenção: o I-REC precisa ser resgatado dentro do mesmo ano calendário do consumo para ser válido nos relatórios do período. Certificados com data de geração anterior a 12 meses do resgate perdem a validade pelo padrão I-REC Standard.


I-REC no CDP: o que o questionário exige?


O CDP (Carbon Disclosure Project) é o principal canal de divulgação de dados climáticos para investidores e cadeias de fornecimento. No questionário Climate Change, a seção de Escopo 2 (módulo C8) exige que a empresa informe separadamente o Escopo 2 location-based e o market-based, e identifique quais instrumentos de atributo energético foram utilizados para o cálculo market-based. O I-REC é explicitamente listado como instrumento aceito pelo CDP para mercados emergentes, incluindo o Brasil.


Empresas que reportam ao CDP sem cobertura de Escopo 2 market-based, ou com cobertura parcial, recebem pontuação inferior nos critérios de transparência e gestão climática. Desde 2022, o CDP também passou a exigir planos de transição alinhados com 1,5°C, o que torna a cobertura integral do Escopo 2 com I-REC ainda mais relevante para manutenção de notas A e B no questionário.


I-REC e SBTi: como o certificado apoia metas de 1,5°C?


O Science Based Targets initiative (SBTi) valida metas de redução de emissões alinhadas com a ciência climática. Para empresas com metas aprovadas pelo SBTi, o Escopo 2 market-based é o indicador de progresso utilizado para medir a trajetória de redução das emissões de eletricidade. O uso de I-RECs é aceito como evidência de progresso em direção às metas de Escopo 2, desde que os certificados sejam resgatados no mesmo ano de reporte e correspondam ao consumo real da empresa.


É importante destacar que o SBTi, em sua versão mais recente (Corporate Net-Zero Standard), incentiva empresas a priorizarem a contratação de energia renovável com atributos de localização e temporalidade correspondentes ao consumo, o chamado 24/7 Clean Energy. Isso significa que, embora o I-REC anual seja aceito, a tendência de longo prazo é a exigência de certificados com correspondência horária. Empresas no Mercado Livre já estão em posição mais vantajosa para estruturar esse tipo de contrato no futuro.


Cobertura parcial vs cobertura total: qual a diferença na prática?


Algumas empresas adquirem I-RECs para cobrir apenas uma fração do consumo, por exemplo, 50% ou apenas as unidades consumidoras com maior visibilidade. Isso é possível, mas gera restrições nos relatórios: o GHG Protocol não permite aplicar fator zero ao Escopo 2 market-based total se a cobertura for parcial. Nesses casos, aplica-se o fator residual de mercado (residual mix) para a parcela não coberta, o que resulta em um Escopo 2 market-based positivo (não zerado).


Para empresas com múltiplas unidades consumidoras, a Lux Energia estrutura a cobertura I-REC de forma consolidada, garantindo que o volume total de certificados resgatados corresponda ao consumo agregado de todas as unidades registradas no período, o que simplifica o processo de inventário e fortalece a evidência para auditores externos.


I-REC, GRI 302 e relatórios de sustentabilidade


A norma GRI 302 (Energia) exige que organizações divulguem o consumo total de energia e identifiquem a parcela proveniente de fontes renováveis. O indicador GRI 302-1 (consumo de energia dentro da organização) requer a discriminação entre energia renovável e não renovável. O I-REC é o instrumento aceito para comprovar que a eletricidade consumida tem atributos renováveis rastreáveis, sem ele, mesmo que a empresa contrate energia de fonte solar ou eólica no Mercado Livre, a comprovação pode ser contestada por auditores de relatório de sustentabilidade.


Para entender como calcular e estruturar o inventário completo de emissões da empresa, incluindo os três escopos, veja o post Pegada de Carbono da Empresa: Como Calcular e Reduzir com Energia Elétrica.


Mercado Livre como vantagem para a cobertura I-REC


Empresas no Mercado Livre de Energia têm uma vantagem operacional relevante para a cobertura I-REC: é possível contratar energia já com lastro renovável e certificação I-REC embutida no contrato de compra (abordagem bundled). Isso significa que, ao comprar energia de fonte solar ou eólica no ACL, o I-REC já está sendo gerado para o consumo da empresa, sem necessidade de aquisição separada. A gestora de energia estrutura e gerencia todo o processo, do contrato ao resgate anual dos certificados.


Para entender os fundamentos do I-REC e como ele funciona tecnicamente, consulte o post O Que É o I-REC: Guia Completo Sobre Certificados de Energia Renovável, nosso guia de referência sobre o tema.


Se a sua empresa ainda está no mercado cativo e avalia a migração para o ACL, o post LEED e Energia: Até 33% da Pontuação Depende da Estratégia Elétrica mostra como a estratégia de contratação de energia impacta diretamente os critérios de certificação e sustentabilidade.


Dê o próximo passo


A Lux Energia apoia empresas em todo o ciclo de cobertura I-REC para Escopo 2: desde a estruturação do contrato de compra de energia renovável no Mercado Livre até o resgate anual dos certificados na plataforma I-TRACK e a geração dos documentos de comprovação para relatórios CDP, GHG Protocol, GRI e SBTi. Se a sua empresa tem metas ESG e precisa zerar o Escopo 2 com evidência auditável, fale com a Lux Energia.




Dúvidas frequentes sobre I-REC e Escopo 2


O I-REC zera o Escopo 2 location-based também?

Não. O I-REC zera apenas o Escopo 2 market-based, que é calculado com base em instrumentos de atributo energético. O Escopo 2 location-based usa o fator de emissão médio da rede elétrica do país e não é alterado pela posse de certificados. O GHG Protocol exige que as empresas divulguem ambas as metodologias, mas as metas de descarbonização geralmente são definidas sobre o market-based.

Posso usar I-REC de anos anteriores para cobrir o Escopo 2 do ano atual?

Não. O padrão I-REC Standard estabelece que o certificado deve ser resgatado dentro de 12 meses a partir da data de geração da energia. Para relatórios anuais (como CDP e GHG Protocol), recomenda-se que os certificados resgatados correspondam ao mesmo ano-calendário do consumo. Certificados vencidos ou fora do período de reporte não são aceitos como evidência válida.

O que é o residual mix e quando ele se aplica?

O residual mix é o fator de emissão residual de mercado, calculado para a parcela do consumo de eletricidade que não está coberta por instrumentos de atributo energético (como o I-REC). No Brasil, o residual mix é publicado pela ABEEÓLICA e outras entidades setoriais. Empresas com cobertura I-REC parcial precisam aplicar o residual mix à fração não coberta para calcular corretamente o Escopo 2 market-based.

O CDP aceita I-REC como evidência de Escopo 2 market-based?

Sim. O CDP lista explicitamente o I-REC (e outros EACs, Energy Attribute Certificates) como instrumentos aceitos para o cálculo do Escopo 2 market-based no questionário Climate Change (módulo C8). A empresa deve informar o volume de I-RECs resgatados, a fonte geradora (solar, eólica, etc.) e o país de emissão. O documento de resgate emitido pela plataforma I-TRACK serve como evidência formal.

Empresa no mercado cativo pode usar I-REC para zerar o Escopo 2?

Sim. Qualquer empresa pode adquirir I-RECs independentemente de estar no mercado cativo ou no Mercado Livre. No mercado cativo, a aquisição é sempre unbundled, o certificado é comprado separadamente da energia. No Mercado Livre, é possível contratar energia renovável com I-REC já embutido no contrato (bundled), o que simplifica a gestão e garante correspondência entre consumo e certificação.


Comentários


bottom of page